Algumas vezes, quando a noite esfria e eu não consigo mais dormir, flagro-me sentada na ponta da cama, agarrada aos joelhos dobrados como se aquilo evitasse que até minha alma me abandonasse ali sozinha. Enquanto as lágrimas escorrem, eu rezo para o telefone tocar e clarear o quarto, torço para ser sua voz do outro lado da linha iluminando minha noite sem lua.
No entanto, não há ninguém discando meu número agora. E eu não faço idéia de onde você foi ou o que está fazendo. Afogo em mim mesma outra vez. Sufoco no mar vazio que há em mim e espero... espero desesperadamente a sua volta. Deixo qualquer ponta de esperança apossar-me, eu preciso viver para... Para que afinal eu preciso permanecer viva? Se você não precisa de mim, então nada mais faz sentido. Eu vou apenas cantar para mim mesma outra vez, chorar outra noite e, no dia seguinte, limpar as lágrimas e acordar. Algum dia eu ficarei bem.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Prelúdio do em vão
O céu cinza era apenas o prelúdio do meu dia estendendo-se acima de mim. Eu caminho todos os dias sob o céu, em passos orientados já não sei mais por quem. Pensamentos perdidos esvoaçando enquanto meu corpo já não fornece mais resistência às pancadas das ondas que marejam em meus olhos.
Indecifrável entre milhares de sombras que trombam diariamente comigo. Às vezes eu ainda me impressiono ao notar que nem mesmo as dezena de pessoas que se considerariam 'mais próximas' percebem meu estado de espírito. Eu disse perceber? Perdão, eu quis dizer aceitar. Vasculham minhas expressões, reprimindo aquelas não desejáveis. "Seja mais simpática", "sorria", " por que está olhando deste jeito?!", "Eu reconheço que esta mais quieta hoje", "não desconte nos outros, você tem que continuar falante".
E eu visto novamente o personagem que todos querem ver. Ah, doce palhaço de circo. Eterno bobo da corte fadado a divertir os outros com sua sagacidade não compreendida. Só em sua inteligência.
No fundo todos me lançam olhares;
"Lá está a estranha sem coração.
Quem se importa? É só uma estranha sem coração.
Seus sentimentos existem em vão."
E eu retruco aos berros aguniados com a angústia que ainda há em mim;
"Se esta aqui é uma estranha sem coração.
É porque todos os seus sentimentos foram sofridos em vão.
Meu coração foi arrancado à mão."
Indecifrável entre milhares de sombras que trombam diariamente comigo. Às vezes eu ainda me impressiono ao notar que nem mesmo as dezena de pessoas que se considerariam 'mais próximas' percebem meu estado de espírito. Eu disse perceber? Perdão, eu quis dizer aceitar. Vasculham minhas expressões, reprimindo aquelas não desejáveis. "Seja mais simpática", "sorria", " por que está olhando deste jeito?!", "Eu reconheço que esta mais quieta hoje", "não desconte nos outros, você tem que continuar falante".
E eu visto novamente o personagem que todos querem ver. Ah, doce palhaço de circo. Eterno bobo da corte fadado a divertir os outros com sua sagacidade não compreendida. Só em sua inteligência.
No fundo todos me lançam olhares;
"Lá está a estranha sem coração.
Quem se importa? É só uma estranha sem coração.
Seus sentimentos existem em vão."
E eu retruco aos berros aguniados com a angústia que ainda há em mim;
"Se esta aqui é uma estranha sem coração.
É porque todos os seus sentimentos foram sofridos em vão.
Meu coração foi arrancado à mão."
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Partituras
Foi num rompante que percebi ao que estava fadada. E talvez somente eu estivesse. Olhei ao meu redor, escutei batidas como nunca! Mergulhei em mim. Descompasso. Sim, eu sou descompasso. Em um mundo em que corações desajustados buscam outros igualmente desajustados para dividir o mesmo compasso, eu sou descompassada.Meus batimentos cardíacos compuseram uma partitura única e desacredito que haja outro capaz de bater no mesmo ritmo, ao mesmo som.
Me disseram que dois corações tem que palpitar juntos para ser amor. Recuso! Recuso e recuso a ajustar-me a outro coração.Não me peça para palpitar seu ritmo. Eu não quero ser ritmo. Formei-me em descompasso, tornei-me descompasso. Se compassar-me a outrém, o que será de mim? Se de repente ouvisse a mesma melodia tão conhecida, encantaria-me por ela? Creio que por instantes eu estaria fascinada ao escutar meu som emanando de outro alguém. E nos instantes seguintes, escutaria. De tanto ouvir, conheceria. De tanto conhecer, entediaria. Decorar aquela musica traria a mim a morte do interesse.Eis que afundaria novamente em mim, a procura desesperada de algo inovador e, surpreendentemente, descobriria outro som. A partitura mudara. Aquele já não era mais quem batia junto a mim. Restaria apenas então aventurar-me outra vez no mar de sons. Seria eterna busca, eterna frustração. Barco predestinado a navegar as profundezas do oceano sem jamais encontrar seu porto.
Entretanto, se prosseguisse eu no meu descompasso e a sorte do acaso trouxesse a mim outra vibração harmônica, eis que encheria-me de felicidade! Não, não aquela que fosse idêntica a mim, mas sim a que me completasse! Seriamos eterna música, eterna sinfonia em sons que nunca saberiamos de cor, muito menos salteado. E cada dia que dormisse às margens de seu peito, ouviria novo concerto, fascinaria-me com novas notas. Graves e agudos de todos os jeitos que pudéssemos compor. Afinariamos, sim, nossos corações um ao outro. Mas sem que perdessemos aquilo que há de mais importante em nossa relação; a originalidade de sermos nós mesmos!
Me disseram que dois corações tem que palpitar juntos para ser amor. Recuso! Recuso e recuso a ajustar-me a outro coração.Não me peça para palpitar seu ritmo. Eu não quero ser ritmo. Formei-me em descompasso, tornei-me descompasso. Se compassar-me a outrém, o que será de mim? Se de repente ouvisse a mesma melodia tão conhecida, encantaria-me por ela? Creio que por instantes eu estaria fascinada ao escutar meu som emanando de outro alguém. E nos instantes seguintes, escutaria. De tanto ouvir, conheceria. De tanto conhecer, entediaria. Decorar aquela musica traria a mim a morte do interesse.Eis que afundaria novamente em mim, a procura desesperada de algo inovador e, surpreendentemente, descobriria outro som. A partitura mudara. Aquele já não era mais quem batia junto a mim. Restaria apenas então aventurar-me outra vez no mar de sons. Seria eterna busca, eterna frustração. Barco predestinado a navegar as profundezas do oceano sem jamais encontrar seu porto.
Entretanto, se prosseguisse eu no meu descompasso e a sorte do acaso trouxesse a mim outra vibração harmônica, eis que encheria-me de felicidade! Não, não aquela que fosse idêntica a mim, mas sim a que me completasse! Seriamos eterna música, eterna sinfonia em sons que nunca saberiamos de cor, muito menos salteado. E cada dia que dormisse às margens de seu peito, ouviria novo concerto, fascinaria-me com novas notas. Graves e agudos de todos os jeitos que pudéssemos compor. Afinariamos, sim, nossos corações um ao outro. Mas sem que perdessemos aquilo que há de mais importante em nossa relação; a originalidade de sermos nós mesmos!
domingo, 5 de julho de 2009
Pássaro e àrvore.
Gente, hoje achei esse texto que escrevi ano passado, espero que vcs gostem =D
Pássaro e àrvore
O amor pode pousar em nós, como uma ave em uma àrvore, só por um breve instante, e depois voar para longe.
Ele pode aproximar-se apenas para colher o fruto que deseja, saciar-se e ir embora.
Assim como pode também construir um ninho, uma vida, e não nos deixar mais.
Certas vezes, ele se vai mesmo que queira ficar.
Outras vezes, a ave voa e seu ninho permanece, com vestígios da vida que ali um dia habitou.
O que esquecemos é que cada vez que uma ave leva consigo o fruto , leva junto a semente que vai germinar outra àrvore, em outro lugar.
O que seria da ave sem a àrvore para abrigar-se, alimentar-se e descansar?
E o que seria da árvore sem a ave para levar suas sementes além do horizonte?
A ave morreria de fome, sem abrigo, ou acabaria cansada demais para continuar seu trajeto e seria facilmente predada.
A àrvore não teria quem levasse suas sementes para longe, logo nunca teria parte de sí em outro lugar, ficando limitada.
Em uma relação, somos pássaro e somos árvore.
Colhemos e cedemos frutos, nos abrigamos e somos abrigados. E mesmo quando voamos para longe, levamos conosco parte do que deixamos para trás. Ainda quando somos deixados, continuamos a viver sabendo que outros pássaros virão.
Assim, não devemos criar gaiolas nem cortar nossas asas, pois sempre haverá uma àrvore para pousarmos, ou um pássaro para nos encontrar.
Pássaro e àrvore
O amor pode pousar em nós, como uma ave em uma àrvore, só por um breve instante, e depois voar para longe.
Ele pode aproximar-se apenas para colher o fruto que deseja, saciar-se e ir embora.
Assim como pode também construir um ninho, uma vida, e não nos deixar mais.
Certas vezes, ele se vai mesmo que queira ficar.
Outras vezes, a ave voa e seu ninho permanece, com vestígios da vida que ali um dia habitou.
O que esquecemos é que cada vez que uma ave leva consigo o fruto , leva junto a semente que vai germinar outra àrvore, em outro lugar.
O que seria da ave sem a àrvore para abrigar-se, alimentar-se e descansar?
E o que seria da árvore sem a ave para levar suas sementes além do horizonte?
A ave morreria de fome, sem abrigo, ou acabaria cansada demais para continuar seu trajeto e seria facilmente predada.
A àrvore não teria quem levasse suas sementes para longe, logo nunca teria parte de sí em outro lugar, ficando limitada.
Em uma relação, somos pássaro e somos árvore.
Colhemos e cedemos frutos, nos abrigamos e somos abrigados. E mesmo quando voamos para longe, levamos conosco parte do que deixamos para trás. Ainda quando somos deixados, continuamos a viver sabendo que outros pássaros virão.
Assim, não devemos criar gaiolas nem cortar nossas asas, pois sempre haverá uma àrvore para pousarmos, ou um pássaro para nos encontrar.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Desabafo
E se hoje eu quisesse só ficar quieta no calor de qualquer um e chorar?
E se eu precisasse ser vista sem sequer me expressar?
E se eu quisesse alguém que entendesse?
E se eu quisesse alguém que enxergasse o que está escondido?
E se eu precisasse ser resgatada por uma mão que não esperou eu estender a minha?
E se eu quisesse ouvir a coisa certa, mesmo que não estivesse certa?
De repente, todos aqueles que disseram que sempre estariam aqui... sumiram.
E se eu precisasse ser vista sem sequer me expressar?
E se eu quisesse alguém que entendesse?
E se eu quisesse alguém que enxergasse o que está escondido?
E se eu precisasse ser resgatada por uma mão que não esperou eu estender a minha?
E se eu quisesse ouvir a coisa certa, mesmo que não estivesse certa?
De repente, todos aqueles que disseram que sempre estariam aqui... sumiram.
sábado, 4 de abril de 2009
Esperança
E eu fico estagnada em um sentimento corrosivo.
Ele cresce, dia pós dia, ele cresce.
Sou consumida por completo.
E esperneio em vão.
Todas as vezes que acreditei ter aprendido a lidar com isso, ele vêm a tona e prova que eu estava errada.
Sempre errada.
E quando acho que aprendi a conviver, percebo que a convivência não importa nada.
Ele está lá, pulsando em mim.
Explodindo meu peito em lágrimas.
Saudade é um sentimento triste,
Mas é saudade o que sinto.
Quando voltarás?
Ele cresce, dia pós dia, ele cresce.
Sou consumida por completo.
E esperneio em vão.
Todas as vezes que acreditei ter aprendido a lidar com isso, ele vêm a tona e prova que eu estava errada.
Sempre errada.
E quando acho que aprendi a conviver, percebo que a convivência não importa nada.
Ele está lá, pulsando em mim.
Explodindo meu peito em lágrimas.
Saudade é um sentimento triste,
Mas é saudade o que sinto.
Quando voltarás?
domingo, 18 de janeiro de 2009
Sensibilidade é essencial.
Percebo no dia a dia as pequenas mentiras pelas quais me deixei persuadir, por talvez exaustão de ir contra o que já foi dito tantas vezes que é uma quase verdade, por talvez o medo da decepção.
O que tenho sentido é uma falta de sentido.
Quando observo pequenos fragmentos de mim espalhados pela casa e por onde passo, por Deus, como alguém chega a tantos pedaços e continua inteira?
Cansei de máscaras, quem eles acham que enganam?!
Chegou à garganta o grito 'Eu sei quem vocês são, que diabos! Quem estão tentando enganar?'.
E ele morreu na garganta, quem sabe a enganada sou eu.
Eu não tenho mais saco para a televisão.
Eu não tenho mais saco para jornais e revistas.
Eu não tenho mais saco para falsidades sociais.
Enfim, eu não tenho mais saco para quase nada.
Eu olho nos olhos das pessoas e vejo outras pessoas.
E há quem pense que estou doente.
Eis a questão.
Seria sensibilidade doença?
É fato que ando suscetível a emoções que vem e vão, mais do que deveria.
Mas seria sensibilidade um mal?
Quem sabe se fossemos mais sensíveis ao que causamos nos outros, não evitaríamos mortes? Guerras? Tristeza?
Por que as pessoas ainda tentam enganar umas às outras?
É uma falta de sensibilidade para olhar pelo lado do outro. Falta de sensibilidade para refletir que uma palavra sua pode despedaçar alguém em tantas partes quanto você jamais imaginaria.
Eu entrei em um momento de busca por uma verdade, a minha.
Como dizia Cazuza; "Ideologia, eu quero uma pra viver."
O que tenho sentido é uma falta de sentido.
Quando observo pequenos fragmentos de mim espalhados pela casa e por onde passo, por Deus, como alguém chega a tantos pedaços e continua inteira?
Cansei de máscaras, quem eles acham que enganam?!
Chegou à garganta o grito 'Eu sei quem vocês são, que diabos! Quem estão tentando enganar?'.
E ele morreu na garganta, quem sabe a enganada sou eu.
Eu não tenho mais saco para a televisão.
Eu não tenho mais saco para jornais e revistas.
Eu não tenho mais saco para falsidades sociais.
Enfim, eu não tenho mais saco para quase nada.
Eu olho nos olhos das pessoas e vejo outras pessoas.
E há quem pense que estou doente.
Eis a questão.
Seria sensibilidade doença?
É fato que ando suscetível a emoções que vem e vão, mais do que deveria.
Mas seria sensibilidade um mal?
Quem sabe se fossemos mais sensíveis ao que causamos nos outros, não evitaríamos mortes? Guerras? Tristeza?
Por que as pessoas ainda tentam enganar umas às outras?
É uma falta de sensibilidade para olhar pelo lado do outro. Falta de sensibilidade para refletir que uma palavra sua pode despedaçar alguém em tantas partes quanto você jamais imaginaria.
Eu entrei em um momento de busca por uma verdade, a minha.
Como dizia Cazuza; "Ideologia, eu quero uma pra viver."
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